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Para processar documentos e responder a consultas ao mesmo tempo com OTP e Elixir, separe duas responsabilidades: a concorrência controla como o trabalho é executado e recuperado de falhas; o sistema de busca define como textos são analisados, indexados e classificados. Processos, tarefas supervisionadas e ETS ajudam a organizar a aplicação, mas não substituem um mecanismo de busca nem garantem, por si sós, consistência ou relevância.

O que concorrência resolve — e o que não resolve

Uma aplicação de recuperação de informação costuma fazer trabalho em paralelo em dois caminhos: ingerir ou atualizar documentos e atender consultas. Concorrência permite estruturar esses trabalhos e limitar quantos acontecem ao mesmo tempo. Não determina quais palavras devem corresponder, como interpretar um idioma, como ordenar resultados ou quando uma atualização se torna visível para uma consulta.

Essa distinção orienta a arquitetura: use OTP e Elixir para coordenar execução, isolamento e falhas; escolha ETS, PostgreSQL ou um mecanismo dedicado conforme os requisitos dos dados e da busca. O fato de uma aplicação usar muitos processos não torna seu índice transacional, persistente ou semanticamente relevante.

Como processos e supervisores entram na arquitetura

Processos isolam unidades de trabalho

O guia oficial resume: “In Elixir, all code runs inside processes. Processes are isolated from each other, run concurrent to one another and communicate via message passing.” O guia de processos do Elixir descreve, portanto, um modelo de execução baseado em processos que se comunicam por mensagens. Na prática, isso permite separar componentes — por exemplo, recebimento de documentos, processamento e chamadas a um serviço de busca — em vez de concentrar todo o trabalho em um único fluxo.

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Isolamento não significa que qualquer falha seja inofensiva. É preciso decidir como uma unidade de trabalho comunica seu resultado, o que ocorre se ela falhar e se uma falha deve afetar outras tarefas ou a consulta que iniciou o trabalho.

Supervisão organiza reinício, não recuperação dos dados

Supervisores deixam explícita a política de início, encerramento e reinício dos processos filhos. Isso é útil para manter componentes de longa duração e para executar tarefas sob uma estratégia de supervisão. Mas reiniciar um processo não restaura automaticamente documentos perdidos, desfaz uma atualização parcial nem reconstrói um índice: persistência, repetição segura de operações e reconstrução precisam ser projetadas separadamente.

Antes de ligar uma tarefa ao chamador ou executá-la sem esse vínculo, defina o comportamento esperado para cada falha. Em uma consulta, por exemplo, uma falha em uma fonte pode cancelar a resposta inteira ou permitir que resultados parciais sejam devolvidos; a escolha depende do contrato do produto, não de uma propriedade automática do supervisor.

Tarefas paralelas exigem limites e política de timeout

Para distribuir uma função por elementos de uma coleção, Task.Supervisor.async_stream oferece processamento concorrente com opções de limite de concorrência, ordenação e timeout. Na documentação do Elixir v1.18, o padrão de concorrência máxima é System.schedulers_online/0 e o padrão de ordenação é true; esses padrões devem ser confirmados na versão usada pelo projeto. Documentação de Task.Supervisor v1.18

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Um exemplo ilustrativo de ingestão limita o número de trabalhos simultâneos, dispensa a preservação da ordem de entrada e estabelece um timeout explícito:

Task.Supervisor.async_stream(
  MyApp.TaskSupervisor,
  documents,
  &MyApp.Indexer.index/1,
  max_concurrency: 8,
  ordered: false,
  timeout: 30_000,
  on_timeout: :kill_task
)

Os valores do exemplo são escolhas de configuração, não recomendações universais nem resultados de benchmark. O consumidor do stream também deve tratar resultados bem-sucedidos e falhas conforme a política da aplicação. Ajuste o limite considerando banco de dados, memória e capacidade de serviços remotos; concorrência sem limite pode transferir o gargalo para essas dependências. Configure timeout de acordo com o trabalho esperado e com a tolerância do produto a operações lentas.

ETS é útil para estado em memória, não um índice transacional por padrão

ETS oferece tabelas em memória úteis para caches, estruturas de consulta e estado efêmero associado ao serviço. A documentação de ETS para Erlang/OTP 28 informa que atualizações em objetos individuais são atômicas e isoladas. Isso não significa que percorrer a tabela durante atualizações concorrentes produza um snapshot consistente de toda a tabela. Documentação ETS de Erlang/OTP 28

Por isso, ETS pode ser apropriado quando a aplicação aceita estado transitório e entende a semântica das leituras e gravações; não deve ser tratado automaticamente como armazenamento persistente ou índice transacional. Se uma consulta exige uma visão coerente de muitos objetos enquanto há atualizações, essa propriedade precisa vir de um desenho que a ofereça, não da simples escolha de ETS.

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Opções de concorrência dependem do padrão de acesso

As opções read_concurrency e write_concurrency são ajustes de desempenho, não substitutos para entender o workload. A documentação alerta que leituras concorrentes podem beneficiar-se de read_concurrency, mas alternar com frequência entre leitura e escrita pode ficar mais caro; write_concurrency pode favorecer gravações concorrentes com custo de memória. Para OTP 25 ou posterior, a documentação recomenda write_concurrency: :auto em muitos cenários, mas a escolha deve ser validada com o padrão real de acesso e a versão usada.

Escolha o mecanismo de busca pelos requisitos de recuperação

O armazenamento que já existe na aplicação pode atender à busca; um mecanismo dedicado pode ser adequado quando requisitos de escala, ranking ou recursos de busca justificam mais operação. A documentação do PostgreSQL define busca textual integral como a capacidade de identificar documentos em linguagem natural que satisfazem uma consulta e, opcionalmente, ordená-los por relevância. Ela também explica por que operadores simples como LIKE não fornecem, por si sós, suporte linguístico, ranking nem indexação adequada para grandes conjuntos: a busca textual integral pré-processa os documentos e mantém um índice para consultas posteriores. Introdução à busca textual integral no PostgreSQL 15

Elasticsearch descreve a busca full-text, também chamada lexical, como análise e indexação de campos textuais para encontrar resultados relevantes além de correspondências exatas. Sua documentação também apresenta a combinação da busca lexical com busca semântica vetorial como abordagem híbrida. Documentação de busca full-text do Elastic Isso amplia as possibilidades, mas não estabelece que um mecanismo seja melhor em todos os projetos.

Alternativa Uso que a documentação sustenta Consistência ou recuperação Trade-off a avaliar
ETS Tabelas em memória para caches, estruturas de consulta e estado efêmero. Atualizações de objetos individuais são atômicas e isoladas; uma travessia concorrente com atualizações não garante snapshot consistente da tabela inteira. Erlang/OTP 28 Decidir se estado transitório e a semântica das travessias atendem ao caso; ajustar concorrência conforme o padrão de acesso.
PostgreSQL 15 Busca textual integral indexada e ordenação opcional por relevância. Documentação PostgreSQL 15 O material citado descreve pré-processamento e indexação para consultas posteriores; não especifica aqui a garantia de snapshot de uma arquitetura concreta. Avaliar volume, frequência de atualização, qualidade de análise linguística, ranking e necessidades de filtros.
Elasticsearch Busca lexical full-text e possibilidade de combiná-la com busca semântica vetorial. Documentação Elastic Em buscas distribuídas, a escolha do tipo de busca afeta precisão do scoring entre shards. API de busca do Elasticsearch Considerar análise e ranking, filtros ou facetas, latência, tolerância a falhas e custo operacional de um mecanismo dedicado.

A tabela não é um ranking universal: volume e frequência de atualização, requisitos de consistência, análise linguística, latência, tolerância a falhas, filtros ou facetas, operação e custo devem ser avaliados para a aplicação concreta.

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Concorrência do BEAM e concorrência do cluster são camadas diferentes

Em uma aplicação que consulta Elasticsearch, existem pelo menos duas decisões distintas: quantas tarefas a aplicação Elixir inicia e quantas solicitações de shards o cluster executa concorrentemente por nó. O parâmetro max_concurrent_shard_requests limita a concorrência de solicitações de shard em um nó; não controla a quantidade de tarefas do BEAM. Documentação da API de busca do Elasticsearch

A mesma API distingue query_then_fetch, normalmente mais rápido, mas baseado em frequências locais de shard, de dfs_query_then_fetch, geralmente mais lento e que usa frequências globais para um scoring mais preciso. Essa é uma escolha de precisão e custo no cluster, não um ajuste equivalente ao limite de concorrência de Task.Supervisor. A documentação descreve os trade-offs, mas não indica um modo universalmente correto para toda carga.

Um roteiro para tomar a decisão arquitetural

  1. Defina o contrato da busca. Especifique como documentos são consultados, se resultados precisam de ranking por relevância e quais requisitos de análise linguística, filtros e facetas são importantes.
  2. Caracterize os dados e atualizações. Considere volume, frequência de ingestão, necessidade de persistência e que visão dos dados uma consulta precisa observar durante atualizações.
  3. Escolha onde vivem os dados de busca. Use ETS apenas se o caráter em memória e suas garantias forem aceitáveis; avalie a busca textual integral do PostgreSQL se ela cobrir os requisitos; considere um mecanismo dedicado se capacidades distribuídas ou uma abordagem lexical e vetorial forem necessárias.
  4. Desenhe falhas e repetição. Decida se uma falha parcial interrompe uma consulta, como as tarefas são vinculadas ou supervisionadas e como uma atualização pode ser retomada ou reconstruída sem presumir que um reinício restaure os dados.
  5. Defina limites em cada camada. Configure timeout e concorrência das tarefas da aplicação; se houver busca distribuída, avalie separadamente os limites de shards e o tipo de scoring do mecanismo.
  6. Valide com a carga do projeto. Meça latência, comportamento de atualizações e pressão sobre dependências no workload real. As fontes citadas descrevem mecanismos e trade-offs, não benchmarks comparativos entre essas opções.

Compatibilidade: fixe as versões do projeto

Na documentação oficial consultada em 5 de outubro de 2026, Elixir v1.20.4 aparece como versão estável, com Erlang/OTP 27, 28 e 29 listados como versões suportadas. Documentação e compatibilidade do Elixir Esses dados podem mudar; confirme a versão fixada pelo projeto e consulte a documentação correspondente antes de adotar compatibilidade ou defaults como recomendação para outra versão.

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